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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Economia Colonial


Na segunda metade do século 16, começaram a ficar evidentes os interesses e os objetivos de Portugal nas terras brasileiras.

As relações econômicas que vigoravam entre as nações européias baseavam-se no mercantilismo, cuja base eram o comércio internacional e a adoção de políticas econômicas protecionistas.

Cada nação procurava produzir e vender para o mercado consumidor internacional uma maior quantidade de produtos manufaturados, impondo pesadas taxas de impostos aos produtos importados. Asseguravam, desse modo, a manutenção de uma balança comercial favorável.

As nações que possuíam colônias de exploração levavam maiores vantagens no comércio internacional. A principal função dessas colônias era fornecer matérias-primas e riquezas minerais para as nações colonizadoras - ou seja, para as metrópoles. Ao mesmo tempo, serviam de mercado consumidor para seus produtos manufaturados. Havia uma imposição de exclusividade, ou monopólio, do comércio da colônia para com a metrópole, que foi chamada de pacto colonial.

Pacto colonial
O pacto colonial pode ser entendido como uma relação de dependência econômica que beneficiava as metrópoles. Ao participarem do comércio como fornecedoras de produtos primários (baratos) e consumidoras dos produtos manufaturados (caros), as colônias dinamizavam as economias das metrópoles propiciando-lhes acúmulo de riquezas.

Portugal procurou criar as condições para o Brasil se enquadrar no pacto colonial. Os portugueses concentraram seus esforços para a colônia se transformar num grande produtor de açúcar de modo a abastecer a demanda do mercado internacional e beneficiar-se dos lucros de sua comercialização.

Além da crescente demanda consumidora por esse produto, havia mais dois fatores importantes que estimularam o investimento na produção açucareira. Primeiro, os portugueses possuíam experiência e tinham sido bem-sucedidos no cultivo da cana-de-açúcar em suas possessões no Atlântico: nas ilhas Madeira, Açores e Cabo Verde. Segundo, as condições do clima e do solo do nosso litoral nordestino eram propícias a esse plantio. Em 1542, o donatário da próspera capitania de Pernambuco, Duarte Coelho, já havia introduzido a cana-de-açúcar em suas terras.

Plantation

O plantio da cana-de-açúcar foi realizado em grandes propriedades rurais denominadas de latifúndio monocultor ou plantation. Essas propriedades também ficaram conhecidas como engenhos, porque, além das plantações, abrigavam as instalações apropriadas e os equipamentos necessários para o refino do açúcar: a moenda, a caldeira e a casa de purgar.

Para o processo de produção e comercialização do açúcar ser lucrativo ao empreendimento colonial, os engenhos introduziram a forma mais aviltante de exploração do trabalho humano: a escravidão. A introdução do trabalho escravo nas grandes lavouras baixava os custos da produção.

Toda a riqueza da colônia foi produzida pelo trabalho escravo, baseado na importação de negros capturados à força na África.

O contexto social da colonização e da superexploração da mão-de-obra pela lavoura canavieira tornava inviável contar com o trabalho dos homens livres.

Com terras abundantes, os homens livres poderiam facilmente se apropriar de uma gleba e desenvolver atividades de subsistência. Ou seja, não havia nem incentivo nem necessidade de que a população livre trabalhasse no engenho. Completando o quadro, os portugueses também exploravam o lucrativo de tráfico de escravos negros africanos. E a simples existência do tráfico já constituía um estímulo à utilização desta mão-de-obra nas colônias pertencentes a Portugal.

Engenhos

Os engenhos eram as unidades básicas de produção das riquezas da colônia. Mais do qualquer outro local, o engenho caracterizava a sociedade escravista do Brasil colonial. No engenho, havia a senzala, que era a construção rústica destinada ao abrigo dos escravos; e havia a casa grande, a construção luxuosa na qual habitavam o senhor, que era o proprietário do engenho e dos escravos; juntamente com seus familiares e parentes. Consta que por volta de 1560, o Brasil já possuía cerca de 60 engenhos que estavam em pleno funcionamento, produzindo o açúcar que abastecia o mercado mundial.

Nos moldes como foi planejada pela Coroa portuguesa, a colonização do Brasil exigia enormes recursos econômicos que seriam empregados na montagem dos engenhos, na compra de escravos, de ferramentas e de mudas de cana-de-açúcar para iniciar a produção. Havia ainda a necessidade de transporte do produto e, por fim, sua distribuição no mercado internacional.

Para solucionar o problema do financiamento da montagem da produção açucareira, Portugal recorreu aos mercadores e banqueiros holandeses. Por meio de inúmeros mecanismos de cobrança de impostos, os lucros obtidos com a comercialização do açúcar eram rateados. A maior parcela dos lucros obtidos ficava com os negociantes holandeses que haviam investido na produção e distribuição do produto. Portugal ficava com a menor parcela dos lucros, mas em contrapartida assegurava a posse e a colonização do Brasil, além da imposição do pacto colonial.

O ciclo do açúcar no Brasil colonial se estendeu até a segunda metade do século 17. A partir de então, a exportação do produto declinou devido à concorrência do açúcar produzido nas Antilhas. Ironicamente, eram negociantes holandeses que também financiavam e comercializavam a produção antilhana. Restava a Portugal encontrar outras formas de exploração das riquezas coloniais. No século 18, a exploração de ouro e diamantes daria início a um novo ciclo econômico.

Fonte: Educação Uol
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Revoluções Puritana e Gloriosa


Introdução

A Revolução Inglesa durou de 1640 até 1688. Foi uma fase que compreendeu a Revolução Puritana, o Protetorado de Cromwell e a Revolução Gloriosa.
Com a morte da rainha Elizabeth I, a dinastia dos Stuarts assume o trono inglês. Os Stuarts entraram em conflito com o Parlamento pois tentaram legalizar o Absolutismo frente ao mesmo. Sabe-se que naquela época, o poder real era exercido de fato desde os Tudors, e o poder de direito pertencia ao Parlamento. Desta forma, o Parlamento busca, a partir de então, exercer o poder de fato.
No século XVI, a burguesia se aliou aos reis, pois necessitava de um poder central para acabar com o poder dos senhores feudais, reformar a Igreja e unificar o sistema de pesos, moedas e medidas. Com a conquista destes objetivos, o poder real já não era mais necessário, portanto a burguesia tentou se livrar do poder absoluto do rei, já que o mesmo criava obstáculos que impediam o seu desenvolvimento, como as leis, os órgãos governamentais e a justiça.

Fatores que levaram à Revolução Inglesa:


- Conflitos entre o Puritanismo, cujos adeptos eram burgueses, e o Anglicanismo, defendido pelo rei.
- Alta dos impostos. Isto ocorreu pois os nobres não conseguiram competir com os burgueses na agricultura, portanto agarraram-se a renda do Estado. A solução encontrada pelo rei foi aumentar os impostos para manter a nobreza.
- Privilégios concedidos pelo rei às corporações de ofício, o que gerava insatisfação da burguesia.
- Investimentos burgueses na agricultura, incluindo a compra e exploração de terras. Para isso, era necessário expulsar os antigos rendeiros da terra, os quais eram protegidos pela nobreza e pelo rei. Portanto, gerou-se mais um conflito entre a realeza e a burguesia.

Revolução Puritana:

Diversos fatores, como já vistos, estimularam o conflito entre o Parlamento e o rei, mas a verdadeira luta começou no reinado de Carlos I, quando o Parlamento impôs que todas as medidas tomadas relacionadas a impostos, prisões, julgamentos e convocações do exército deveriam ser autorizadas pelo Parlamento. O rei não cumpriu esta imposição e logo depois dissolveu o Parlamento e governou sem ele por onze anos.
As posteriores decisões reais levantaram protestos, como a imposição do Anglicanismo aos puritanos e presbiterianos da Escócia, o que gerou imensas revoltas.
Problemas financeiros obrigaram a reabertura do Parlamento por um pequeno período, mas com a revolta separatista na Irlanda e a consequente necessidade da organização de um exército, a reunião parlamentar tornou-se obrigatória a cada três anos, e o rei perdeu o direito de dissolvê-lo.
Oliver Cromwell assumiu o comando do exército parlamentarista. Desenvolveu a organização militar, em que a ascensão de um determinado indivíduo era dada por merecimento e não mais por nascimento. O exército parlamentarista tornou-se uma poderosa força política e acabou assumindo o controle em 1649, quando implantou a República. Mandou decapitar o rei Carlos I e destituiu a Câmara dos Lordes.

Commonwealth:

Em 1649, ocorria, então, a República da Inglaterra, iniciando-se a segunda fase da Revolução Puritana, chamada de Commonwealth. Cromwell venceu Carlos II (filho de Carlos I) e dominou o Império Britânico.
Sua medida mais importante foi o Ato de Navegação, o qual instituía que todos os produtos importados pela Inglaterra só poderiam ser transportados por navios britânicos. A medida provocou um conflito com os Países Baixos, que eram grandes transportadores de mercadorias, e estabeleceu a supremacia inglesa nos mares.
Seu governo foi bastante rígido, o que fez com que o Parlamento tentasse limitar o poder de Cromwell, consequentemente, o Parlamento fora dissolvido e Cromwell pôde se declarar como o protetor da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Nascendo o período conhecido como Protetorado de Cromwell.
Com sua morte, o poder é passado ao seu filho Ricardo, mas por ser considerado incapaz, é destituído.

De um lado os burgueses desejavam segurança e de outro, escoceses e irlandeses desejavam a monarquia de volta.
Carlos II, que estava refugiado na Holanda, retorna a Inglaterra e assume o trono, prometendo a anistia geral e tolerância religiosa. Mas nada voltara a ser como antes da República, pois a burguesia tornara-se mais forte que a nobreza, a Igreja Anglicana deixara de ser instrumento das mãos reais e o rei não passava de um funcionário da nação.

Revolução Gloriosa:

Carlos II, sentindo-se muito limitado pelo Parlamento, resolve aliar-se secretamente ao rei católico e absolutista Luis XIV da França. Isto fez com que o Parlamento suspeitasse do rei inglês e impedisse sua interferência política sem autorização parlamentar.
Seu sucessor e irmão Jaime II assume o trono, e como era católico, tomou várias medidas que favoreceram os católicos, gerando uma revolta no Parlamento, o qual chamou Maria Stuart e seu marido Guilherme de Orange para assumir o governo no lugar de Jaime II, que fugiu para a França.

Guilherme de Orange foi proclamado rei quando concordou com a Declaração de Direitos, que limitava seu poder e aumentava o do Parlamento.
A partir de então o poder real se tornava apenas de direito, pois não tinha poder algum sobre o Parlamento, que agora possuía controle sobre o trono e decidia sobre os rumos do Estado.
A Revolução Gloriosa é chamada assim pois não houve derramamento de sangue. Representou a vitória da burguesia, que agora possuía o controle total do Estado. Podendo dissolver todos os obstáculos que a impediam de se desenvolver.

A Inglaterra, depois de então, desenvolveu-se tanto que permaneceu sendo a maior potência mundial até o início do século XX.
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